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15.4.26

Olhares que Não se Sabem



Eu te aguardo num desses dias de verão meio úmidos, meio molengas, para ver você lançar esse olhar pungente e convicto que me estremece pernas, arrepia os pelos e retorce a região do baixo ventre, aí vou fingir, com rosto lívido e lavado, que esse seu olhar não aguça meu deleite nem provoca rompantes no peito ou corta a respiração por segundos, cavando uma visão provocativa de mais que seus olhos na minha retina, na verdade o restante todo de membros em junção exaltada, perdidos em um clímax febril que desmorona nossa carne, sobretudo desnuda nossos corpos, e olharei para seus olhos sugestivos, envoltos nesse calor maçante, mas não me arriscarei a expor tal devaneio que sei que você almeja com as estranhas e eu desejo lá nas profundezas, e mantenho a face impassível para que você não saiba de nada, porque, de fato, no fundo, eu também não sei de nada. 


Publicado originalmente em 25 de novembro de 2016





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