Nos livros "O Dragão Vermelho" e o "Silêncio dos Inocentes" de Thomas Harris, além da série de TV "Hannibal", o personagem icônico Hannibal Lecter se refere algumas vezes à existência de um "palácio das memórias", que considera seu refúgio para os anos de prisão em um Hospital Psiquiátrico. Dotado de inteligência excepcional e uma incrível capacidade de memorizar detalhes, o Dr. Lecter povoa seu palácio de memórias com belíssimas obras arquitetônicas, esculturas e paisagens históricas apreciadas durante a vida. Caminhar pelo seu palácio de memórias lhe proporciona horas de deleite e retira o tédio da prisão isenta de privilégios.
Sempre achei essa passagem interessante e curiosa. Vi que realmente existe um método de memorização desde a Roma Antiga, com técnicas para se congelar lembranças e utilizá-las em algum momento estratégico. Seja pela necessidade de se armazenar uma informação importante ou até mesmo se recriar um momento para fugir do presente desagradável, o palácio das memórias pode ser de grande valia para qualquer um.
Estou longe de possuir uma mente poderosa o suficiente para cogitar a utilização de tal método, no entanto, desenvolvi um campo particular no qual minha imaginação flui sem barreiras e elabora qualquer tipo de enredo. Mesclam-se a ele minhas próprias memórias, sem obrigatoriedade de lógica: somam-se fábulas da infância, contos, crônicas, histórias de livros e animes, filmes ou situações cotidianas recortadas.
Carinhosamente, a escrita e a imaginação sem fins literários são meu querido palácio de memórias desde os tempos de escola, quando a quantidade de matérias e conteúdo em sala era tão grande que minha mente não suportava permanecer no presente, voava para outras dimensões, empunhava caneta e escrevia seus próprios mundos. Horas de treinamento da inventividade enquanto se aguarda o ônibus andar em um trânsito caótico, ou em uma fila de supermercado. O tédio de um domingo solitário ou de um feriado vazio apaziguado pela fantasia. Mostrar para alguém ou recontar a história? Não importa. É entretenimento puro. Fruição. Meu querido Palácio de Memórias (graças a Thomas Harris e Hannibal Lecter).
(Texto publicado originalmente no auge da minha obsessão pela série de tv Hannibal, em agosto de 2015. Reflexão presente: mais de dez anos depois, o palácio de memórias perde espaço para as mídias digitais que roubam o ócio e a imaginação)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Divaga um pouquinho comigo...