Lembrava-se de um tempo em que as coisas eram de certo jeito e se lamentava. Mas não era saudosismo ou ode ao antigo, não era apego ao passado ou oposição à mutabilidade: era só a vontade de que certas coisas não se perdessem no tempo por mais que ele corresse e bagunçasse o entorno. Porém, algumas coisas sempre se perdem. Nem é por maldade ou pirraça: elas simplesmente escorrem pelos dedos e se vão: num piscar de olhos o infinito se torna um dia e nem foi permitida a chance de dizer adeus. Resta se lembrar do tempo em que as coisas eram, de certo jeito, intangíveis.
(Publicado originalmente em 28/04/2014)

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