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9.5.26

Saudade minguante ou...

 


“Eu quero segurar esta sensação como líquido escorrendo nas mãos”...

Acredito que quando nos separamos de alguém, seja numa despedida eterna ou numa separação momentânea, a dor, as lágrimas, as agulhas no peito, as entranhas machucadas... não são apenas pela perda do toque, do cheiro, das conversas rotineiras... Creio ser uma aflição pelo fim da potência do sentimento vivenciado no presente. É o receio, mesmo que inconsciente, de que todas aquelas sensações diminuirão ou desaparecerão com o passar do tempo (o que, felizmente, mostra-se o curso natural da vida).  É o medo de que o corpo se adapte à ausência, a angústia de que o esvaneacimento, na ótica torta do ser humano, signifique o esquecimento de quem agora não está mais ao lado. Um golpe, um ataque pessoal à memória. 

E ainda que queiramos realmente varrer as memórias para fora da mente, atirá-las em um buraco negro, como para os casos dos corações partidos, das relações tóxicas findas, das dores de cotovelo humilhantes, mesmo que queiramos amenizar a agonia quase adoecedora e cortante no coração, como para os enlutados pela partida final, um lado meio masoquista, meio coitadinho, lá no fundo do nosso ser, apega-se as emoções familiares, pois refugiar-se nas arestas é mais confortável que enfrentar a aspereza do renovo.

Então as despedidas são imbuídas de lágrimas de saudades e do medo de que essa saudade seja engolida pelos dias, pela rotina, por outros sentimentos, por outras conexões, pela alegria, pela vida, que bom, que ainda há de ser vivida...


Obs.1: texto escrito em meados de janeiro de 2026.

Obs. 2: Foto da série de tv "Um Dia", adaptação do livro de mesmo nome, do britânico David Nicholls. 






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