Páginas

26.12.17

Retrospectiva 2017: Percepções

Foto feliz de 2017 


2017: Se minha vida acabasse agora, terá valido à pena? Sem pensar duas vezes, sim. Completamente. Para a sociedade ocidental, uma pessoa como eu (não que eu ache que alguém realmente gasta tempo pensando em mim, mas enfim..), que em 2017 não ficou famosa apesar de ser atriz, não casou com um boy magia, não comprou uma casa ou um carro, não emagreceu 20 kg ou abalou nas festas babadeiras do Instagram, pode parecer ter tido um ano bem sem graça ou até ruim. 

Mas para mim, garota privilegiada, brasileira, nordestina, num mundo desigual, injusto, eu estou no lucro. Não houveram desalentos pessoais. Nessa sociedade transfóbica, racista, misógina, gordofóbica, homofóbica, intolerante e preconceituosa com minorias, estou tentando aprender cada vez mais com quem pode me ensinar a ter consciência das lutas que devo me inserir e me juntar ao coro, das lutas que devo simplesmente me calar e ouvir, dos comportamentos nocivos que carrego. Mais do que estar no lucro, 2017 me mostrou o ser humano que pretendo ser. Ou pelo menos, o ser humano que não quero ser.

E se os banhos de água fria e desesperança do início do ano (que pareciam não ter solução) me afetaram muito, com a busca por ajuda e apoio de pessoas queridas, vi as tristezas se transformarem numa energia produtiva, numa vontade de existir, de viver, de continuar a ser artista e ter coragem de tomar outros horizontes. Cativar e ser cativada por mais pessoas. Fazer a diferença primeiramente ao meu redor. Os caminhos profissionais que quero seguir, as pessoas maravilhosas pelas quais tenho amor recíproco, um auto-conhecimento apaziguador que me tira da urgência de "ser alguém na vida" para ser alguém hoje, para usufruir do agora, do amor-próprio, do prazer de estar na minha própria pele, a felicidade genuína de ver amigos, parentes, colegas ou conhecidos realizando seus sonhos (parecidos ou diferentes dos meus).. não tem como ser mais feliz!

Às vezes algumas notícias ruins nos abalam, batem fundo: violência, divergência política, rumos insatisfatórios do país, discurso de ódio. Já os motivos pessoais, planos que não deram certo, impaciência por algo que não ocorreu, ansiedades e melancolias, também nos tiram do prumo de outra maneira.

Respirando, meditando. Olhando para dentro. Chorando quando se tem que chorar. Levantando e sorrindo. Aprendendo a me aceitar, corpo, defeitos, pensamentos. Aprendendo a dosar as dores do mundo. Agradeço por este ano, um dos mais intensos e importantes que vivi em toda a minha vida. Ainda que tenha um mundão que quero tocar, se minha vida acabasse hoje, teria valido à pena viver (desse jeitinho mesmo, sem tirar nem pôr).

Grata, 2017!





Nenhum comentário:

Postar um comentário

Divaga um pouquinho comigo...