Conheci você quando já me esbaldava com minha própria companhia e era tanto amor-próprio para transbordar que eu queria partilhar um pouco dessa recém-descoberta com outro alguém, e aí você apareceu e eu me encantei ao encarar esse teu sorriso suave e atencioso e as mãos firmes de quem toca com vontade, e fiquei muito afim de me apaixonar por você, mesmo que eu não pensasse em nada ao ouvir "na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê" e a cama ausente de conchinha fosse já muito boa e confortável por si mesma.
Conheci você quando quis juntar meu inteiro com outro inteiro. Eu quis me apaixonar por você. Desse jeito, dessa sua maneira, sem lá muitas expectativas ou planos ou luz de velas e bombons com flores e serenata no violino clichê, tava querendo mesmo era doar uma parte do bem-querer irresistível que consumia meu corpo para que uma outra pessoa também vibrasse com essa sensação. Sem aprisionamento ou promessas ou "juntos para sempre", apenas o acordo de tentar transformar os aguardos em filas de mercado, o trajeto do ônibus ou o sábado caseiro sem grana em momentos extraordinários entremeados por papos corriqueiros, amassos, papos filosóficos, beijos e comidas gostosas, e mais papos e mais amassos.
Eu quis me apaixonar por você. Quis muito, de verdade. Não por carência ou solidão ou necessidade, mas porque seria divertido, como um encontro despretensioso com alguém que temos afinidade. Queria dormir e acordar pensando no seu semblante. Lembrar de você com carinho e saudade sedenta enquanto cada um estivesse no seu trabalho ou viajando separado. Ouvir Roberto Carlos (tirando "Esse Cara Sou Eu") e em vez de rir das letras e de quem chora com as letras, imaginar a gente ali, palpitando o coração com o brega mais brega...
Conheci você quando, certo dia, acordei, e quis me apaixonar por alguém. E eu quis muito me apaixonar por você. Quis mesmo. Mas daí você não. Não retribuiu o suficiente. Não ajudou o meu encantamento a se tornar paixão. Não quis. E nessa falta de reciprocidade, resolvi não mais me apaixonar. Pelo menos, não por você.
Conheci você quando quis juntar meu inteiro com outro inteiro. Eu quis me apaixonar por você. Desse jeito, dessa sua maneira, sem lá muitas expectativas ou planos ou luz de velas e bombons com flores e serenata no violino clichê, tava querendo mesmo era doar uma parte do bem-querer irresistível que consumia meu corpo para que uma outra pessoa também vibrasse com essa sensação. Sem aprisionamento ou promessas ou "juntos para sempre", apenas o acordo de tentar transformar os aguardos em filas de mercado, o trajeto do ônibus ou o sábado caseiro sem grana em momentos extraordinários entremeados por papos corriqueiros, amassos, papos filosóficos, beijos e comidas gostosas, e mais papos e mais amassos.
Eu quis me apaixonar por você. Quis muito, de verdade. Não por carência ou solidão ou necessidade, mas porque seria divertido, como um encontro despretensioso com alguém que temos afinidade. Queria dormir e acordar pensando no seu semblante. Lembrar de você com carinho e saudade sedenta enquanto cada um estivesse no seu trabalho ou viajando separado. Ouvir Roberto Carlos (tirando "Esse Cara Sou Eu") e em vez de rir das letras e de quem chora com as letras, imaginar a gente ali, palpitando o coração com o brega mais brega...
Conheci você quando, certo dia, acordei, e quis me apaixonar por alguém. E eu quis muito me apaixonar por você. Quis mesmo. Mas daí você não. Não retribuiu o suficiente. Não ajudou o meu encantamento a se tornar paixão. Não quis. E nessa falta de reciprocidade, resolvi não mais me apaixonar. Pelo menos, não por você.

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