Eu sofri bullying durante a puberdade e adolescência. Aqueles poucos anos entre a infância e idade adulta pareciam intermináveis: diariamente sentia enjoo ao chegar no portão do colégio e por muitas vezes retornava da aula chorando em silêncio. Se quando criança eu era extrovertida, exibicionista e muito auto-confiante (queria ser atriz desde sempre), na puberdade torcia para passar despercebida pelos colegas, pois atenção significaria ser alvo de depreciação e xingamentos. Desenvolvi uma certa fobia social que foi amenizando ao me tornar atriz até praticamente sumir (embora, deva frisar, a escolha pelo ofício não tenha sido terapêutica).
Hoje em dia, quando relembro as situações as quais passava, já não tenho mais nenhum tipo de rancor ou tristeza. Tive a sorte de ter uma família e uma estrutura para me dar suporte e amor. Se antes me sentia vitimizada por ter tido uma adolescência fora da curva - pelo menos da costumeira vivenciada por parentes e conhecidos igualmente brancos, classe-média e privilegiados como eu - , atualmente agradeço pela experiência que me tornou mais empática, observadora e reflexiva. Antes, sentia muita raiva dos colegas que haviam me ofendido ("feia" era o adjetivo constante), já hoje entendo que o bullying é um mecanismo humano para lidar com a fragilidade individual e auto-afirmação perante um grupo.
Mais do que isso, adentrar o fundo do poço (após o bullying outros problemas presentes na vida de qualquer adulto se seguiram) me fez valorizar a superfície. Para reconhecer e agradecer pela vida, pelos dias iluminados e felizes, há de se conhecer antes os períodos obscuros e tristes. Para valorizar os amigos, preciso remeter ao tempo em que não tinha ninguém na agenda telefônica. Quando me sinto à vontade e plena ao me apresentar na frente de uma multidão, lembro-me de quando até minhas mãos doíam só por ter que trocar palavras com alguém num telefone. Quando lido saudavelmente com meu próprio físico, caminhando pelas ruas e me sentindo atraente, não deixo de pensar em quando me sentia mal na minha própria pele e gastava tempo procurando no espelho os defeitos que explicassem o motivo dos coleguinhas de classe me depreciarem.
Contudo, como eu disse anteriormente, eu tive sorte. Quantas pessoas em outras condições não têm apoio? Mulheres, pretos, trans, homossexuais, gordos, pobres: grupos minoritários em geral. Alvos de um bullying constante que não se inicia nem finda na adolescência, que prossegue nos meios de comunicação, nas piadas, na mídia, nos filmes, nas novelas, nos programas de humor, dentro de casa. É nosso dever de amparados, amparar. Estarmos sempre atentos para entender quando o outro precisa de ajuda. Em maior ou menor grau, todo mundo já sofreu algum tipo de resistência. Que a gente se abra para melhorar a vida de quem nos cerca, por mais utópico que pareça, a tentativa já vai ser extremamente benéfica. O mundo sempre precisa disso... e tenho para mim que nos dias de hoje, precisa ainda mais!

Acho que todos passam por bullying em alguma fase da vida. De uma certa forma, se tivermoa uma estrutura solida em casa p nos dar apoio, essa experiencia acaba por nos tornar mais atentos a como queremos ser. Nos ajuda a formar nosso carater. Saber como queremos ser e nos ensina a ter mais amor p espalhar. Quem sofre geralmente fica mais sensibilizado e passa a querer fazer o bem ao proximo, pois sabemoa da dor que nos causa a maldade alheia. Qie toda experiencia negativa possa nos ajudar a tornar essa energia ruim em algo positivo para nossa vida e a vida do proximo! Que bom que esse foi o seu caso niece. Isso eh evoluir!💋
ResponderExcluirParabéns pela mensagem. Crescemos com nossos monstros, e precisamos nos livrar deles. Alguns fazem se escondendo, outros explodindo ou repetindo o que sofreram e outros aprendendo a ser novas pessoas.Este parece ter sido o seu caminho: ser uma pessoa que muda o seu mundo, o mundo à sua volta.
ResponderExcluirParabéns!!!
Estamos no mesmo barco, buscando usar as dores para aliviar outras dores. Também tive um pai maravilhoso, uma mãe que é ótima, mas sofri outras dores. Aprendi e quero ajudar outros.