Se a adolescência realmente existe ou não (existem controvérsias), é outra história, mas não há como negar que é uma fase ímpar na formação da identidade cultural de um cidadão. Alguns lutam de forma árdua contra a padronização de gostos, de comportamento, de tudo (mas acabam se unindo a alguma panelinha, mais alternativa ou não). Outros se sentem mais seguros nos seus devidos grupos, com mais ou menos alcance global. No meio desse caldeirão de opções, o gosto musical vai se delineando.
Acho que com meu extenso talento a impopularidade acabei perdendo a fase de tomar como registro algum estilo musical. Nem era o caso deu não curtir música: o pessoal da minha família é bem musical e eu também, até queria ser cantora, criava letrasmaravilhosas lembradas até hoje pelos parentes. Acho que nunca tive uma relação comprometida como a música. Eu a via meio que como um (a) amante do meu casamento sabe se lá com o quê. Era algo mais da surdina, mais do momento, sem muito hábito. Consumi pouquíssimo "pop americano", era mais de rock inglês seiscentista e disco (influências do pai), algum Chico Buarque, Bossa Nova, pop japonês (influência de animes), um forró pé-de-serra aqui, músicas de trilhas da Broadway acolá, mas me cansava facilmente ao ouvir o mesmo gênero por diversas vezes. O negócio era miscelânea no meu cd-player!
Aí cresci, apareci, deixei de ser tão socialmente apática, entrei no colorido e rico mundo das artes, vi misturas de ritmo, canções, aprendi um tulhão de coisas e me deparei com uns sons bem excêntricos (tipo techno-brega-japonês com batidas de cuia na mesa e um reaggezinho por trás). Avessa aos extremismos, prometi a mim mesma que não me tornaria pseudointelectual, falando através de versos poemados, usando óculos de aros grossos, foto-de-perfil da rede social admirando o horizonte, nem escrevendo apenas com letras minúsculas. Tampouco queria me deixar (se é que conseguiria) idolatrar pelos top10 das rádios. Novamente, sem extremos, o negócio é equilíbrio!
Nessa busca, comecei a agrupar as similaridades dos cantores que mais me aprazavam. Sons que adoçavam os ouvidos sem extrapolar nas fórmulas incessantemente utilizadas pelas bandas de fama vigente (aquelas misturas de sonoridades sem apelar para popularesco que não lhe pertence). Daí me veio na pesquisa o termo Indie (numa definição simplista, músicos independentes com som que tende a se distanciar do padrão) e suas definições como Indie Rock, Indie Pop, Indie Folk e outros Indies..
Acho que com meu extenso talento a impopularidade acabei perdendo a fase de tomar como registro algum estilo musical. Nem era o caso deu não curtir música: o pessoal da minha família é bem musical e eu também, até queria ser cantora, criava letras
Aí cresci, apareci, deixei de ser tão socialmente apática, entrei no colorido e rico mundo das artes, vi misturas de ritmo, canções, aprendi um tulhão de coisas e me deparei com uns sons bem excêntricos (tipo techno-brega-japonês com batidas de cuia na mesa e um reaggezinho por trás). Avessa aos extremismos, prometi a mim mesma que não me tornaria pseudointelectual, falando através de versos poemados, usando óculos de aros grossos, foto-de-perfil da rede social admirando o horizonte, nem escrevendo apenas com letras minúsculas. Tampouco queria me deixar (se é que conseguiria) idolatrar pelos top10 das rádios. Novamente, sem extremos, o negócio é equilíbrio!
Nessa busca, comecei a agrupar as similaridades dos cantores que mais me aprazavam. Sons que adoçavam os ouvidos sem extrapolar nas fórmulas incessantemente utilizadas pelas bandas de fama vigente (aquelas misturas de sonoridades sem apelar para popularesco que não lhe pertence). Daí me veio na pesquisa o termo Indie (numa definição simplista, músicos independentes com som que tende a se distanciar do padrão) e suas definições como Indie Rock, Indie Pop, Indie Folk e outros Indies..
Embora Indie Rock e Indie Pop me interessem, o que mais me chama atenção é o Indie Folk, que teria influência das músicas de folclore, sem ser exatamente uma releitura forçada de algo popularesco (como acontece no nordeste, com a tentativa de se resgatar manifestações e valores populares elitizando-os). Fiquei meio receosa. Aquilo parecia praxe do pseudointelectualismo! Mas daí desencanei: que seja de coração, oras! Vai ver que isso é uma mostra de que virei adulta (ou pós-adolescente).
Pode não ser inédito, pode ser contrastante com minha personalidade, mas foi um bom achado. Seja Beirut e Devendra Banhart, Vanessa da Mata ou Ayo, Belle and Sebastian e sei lá mais o quê, não importa exatamente a nomenclatura, mas a proposta de se fazer "menos do mesmo".
Enfim, acho que devaneei demais acerca do tema, mas fica aqui minha alegria de ter me adequado ao padrão de TER um estilo musical. Facilita na hora de baixar uma nova playlist para ouvir no ônibus ou no avião. Ah.. nos bons e maus momentos da vida também!
Pode não ser inédito, pode ser contrastante com minha personalidade, mas foi um bom achado. Seja Beirut e Devendra Banhart, Vanessa da Mata ou Ayo, Belle and Sebastian e sei lá mais o quê, não importa exatamente a nomenclatura, mas a proposta de se fazer "menos do mesmo".
Enfim, acho que devaneei demais acerca do tema, mas fica aqui minha alegria de ter me adequado ao padrão de TER um estilo musical. Facilita na hora de baixar uma nova playlist para ouvir no ônibus ou no avião. Ah.. nos bons e maus momentos da vida também!

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